“Pais de hoje”



A saída da mulher para o mercado de trabalho já é uma realidade consolidada, mas a preocupação masculina de estar mais perto dos filhos e não sobrecarregar a mulher é nova. Isso ainda é rodeado de preconceitos: mesmo mal visto, tolera-se que uma mulher se atrase ao trabalho por levar o filho ao médico, mas jamais o atraso do homem pela mesma tarefa.

A cobrança para os homens participar das tarefas da casa e dos filhos é enorme por parte das mulheres, mas ao mesmo tempo, elas têm uma grande resistência em abrir mão do controle de casa: a grande maioria quer que os pais ajam exatamente da mesma maneira que elas fariam com os filhos ou com a casa, levando os homens a se sentirem desqualificados, na maioria das vezes.

Como ambos os pais saem para trabalhar, os filhos ficam mais tempo com parentes, babás ou escolas. Assim, a educação também se transfere para outras pessoas, e a família extensa tem muito mais participação do que antigamente. Só não vale terceirizar a educação dos filhos. Contar com ajuda é importante, mas a educação é tarefa dos pais.

Um dado alarmante dos dias atuais é que para a maioria dos “pais de hoje”, já não existe mais hierarquia entre eles e os filhos. E isso é extremamente preocupante. Temos que pensar que os pais ainda associam autoridade ao modelo que tiveram na infância, de rigidez, distanciamento e obediência. E, como não querem repetir esse autoritarismo, ficam “perdidos” em como educar. As crianças precisam de pais que lhes dê definições claras de como devem agir, do que é ou não apropriado para a idade delas, enfim, de que as eduquem.

A obediência pura e simples de antigamente cria pessoas submissas, mas não necessariamente éticas. Hoje, há uma nova configuração social, que favorece o diálogo, a negociação. Cada vez mais tem autoridade quem prova seu valor, oferece os melhores argumentos, e sabe quando dizer um firme, confiante e amoroso “não”. Hoje os exemplos dos pais são essenciais: não adianta falar aos filhos sobre respeito e estacionar em local proibido.

Mirela Manfro da Silva