Individualidade X Coletividade



Viver em condomínio é uma excelente oportunidade para que se exercite a coletividade, que significa, em sua essência, o ato de compartilhar. E compartilhar não só a produção de idéias, mas também o calor das pessoas, o bate papo, as conversas e o divertimento.

No entanto, para que a convivência seja harmônica em um local onde circulam diversos indivíduos, é preciso existir quatro ingredientes básicos: civilidade, solidariedade, respeito e educação. Assim, ao invés de uma multiplicação de individualismos, se obtém uma soma de individualidades, o que contribui para a humanização de um condomínio, diminuindo a frieza e o distanciamento entre os vizinhos, alem de reduzir a desconfiança e a insegurança entre eles.

Pode-se pensar que ao viver em um condomínio, cada um irá defender o seu ponto de vista. No entanto, o que faz com que as pessoas se organizem em coletividade é um desejo que todos compartilham: segurança e bem estar. Assim, vivendo em um condomínio as pessoas podem ter mais chance de obter o que todos querem e fazer um esforço de construção de algo comum, o que exige um processo de educação das vontades de cada um, de poder ouvir aquilo que incomoda, que ofende ou que interessa também ao outro. Porque, mesmo compartilhando a vontade do bem estar, nem todos compartilham a mesma opinião de como realizá-lo. E ouvir o outro é necessário para que se construa um tipo de diálogo que possa beneficiar o coletivo.

É através da possibilidade de dialogar, respeitando a posição de cada um, que se constrói uma perspectiva de consenso capaz de atender às diferentes demandas. Essa solidariedade só é possível quando as pessoas se livram do próprio egoísmo e tentam encontrar uma convergência. E para que isso seja viabilizado, é necessário que sejam criados momentos em que todos possam falar e dialogar de modo organizado, a fim de atender um pouco a todos.

Assim, é por meio da convivência entre vizinhos que se abre uma possibilidade para que cada um exercite a sua compaixão e a sua capacidade de se colocar no lugar do outro. Quando as pessoas conseguem desenvolver essa habilidade, tornando-se sensíveis ao que aflige o outro e percebendo que cada um tem as suas próprias dificuldades, conseguem construir muitas coisas em consenso, o que acaba por tornar o ambiente coletivo um excelente facilitador para o crescimento individual e coletivo.

Mirela Manfro da Silva