Como ser pai hoje?

Atualmente, fala-se muito a respeito das mudanças nas configurações familiares, principalmente no que diz respeito ao papel do pai nas famílias. Uma coisa é certa: os pais estão participando cada dia mais da vida de seus filhos. Nas reuniões de escola, nos parques, nas rotinas das casas, enfim, os homens estão cada vez mais fazendo-se presentes, não somente “ajudando” as mulheres, mas, sim, “pegando junto”, “colocando a mão na massa”. Hoje são comuns pais que dão banho nos seus bebês sozinhos, preparam as papinhas, trocam fraldas… E assim, passam a conhecer mais seus filhos, ganham no afeto, no vínculo, no amor.
Muito se fala sobre a perda de voz e de autoridade dos pais na família. Mas o que se percebe é que está havendo uma troca do autoritarismo por autoridade, o que é muito diferente. Um pai com autoridade e afeto consegue um resultado mais assertivo na educação dos seus filhos do que aquele autoritarismo que víamos no passado, onde não se podia questionar as regras. Se obedecia por medo e se perdia muito no carinho. Muitos pais acreditavam que dar abraços, beijos, brincar com os filhos, se colocar no mesmo plano da criança para conversar, poderia significar uma grande perda de autoridade.
Hoje vemos pais que brincam no chão quando chegam do trabalho, levam os filhos para a escola e participam das reuniões e temas escolares. Querem aprender a se comunicar com seus filhos, olho no olho, e mostrar que estarão ali sempre que precisarem. E isso não significa que não coloquem regras e os punam quando necessário, pois uma coisa não exclui a outra. Educar exige firmeza e amor, sobretudo.
Ter filhos é uma tarefa fácil, porém, ser pai é dificílimo. Ainda mais nos dias de hoje, onde as rotinas de trabalho estão cada dia mais extensas. Conseguir essa união de firmeza e amor, de maneira equilibrada, é muito difícil. Muitas vezes esperamos ainda que os pais ditem as ordens da casa. Quem nunca ouviu de uma mãe: “você vai ver quando seu pai chegar em casa”? Mas os pais querem chegar em casa e não ter mais a única tarefa de ordenar e manter tudo sob controle. Eles querem chegar do trabalho e contar uma história, querem ouvir os filhos, saber como foi o dia deles na escola. Querem se fazer presentes muito além do “sim” e do “não”, dos limites.
Se o modo de ser pai mudou, cabe também às mulheres, às mães, se adaptarem a esta mudança, abrindo espaço para este pai. Deixar com que ele tenha a experiência completa, desde colocar uma fralda ao contrário, até a dificuldade em fazer o bebê dormir. Assim, o pai não estará imitando a mãe, mas sim, descobrindo o seu jeito de ser pai. Isso é fundamental para que ele perceba que o “instinto paterno” está dentro dele. Muitos pais não se aproximam das tarefas com os filhos pois pensam que não saberão fazer direito ou tão bem quanto as mães. Então, o grande desafio é deixar com que eles experimentem, que façam dos seus jeitos. Provavelmente eles não saberão a rotina exata das crianças, a comida ideal, a hora certa do banho, mas isso é ótimo. Os filhos ganham quando são tratados de forma individual com cada um dos pais, o que fortalece o vínculo entre eles. Ser pai é tão importante quanto ser mãe, por isso, quanto mais pais presentes na vida de seus filhos, mais ganhos terão no futuro deles!