Além do primeiro encontro



Eu sei que em nossas vidas está se pregando o uso da velocidade.  Ninguém tem tempo e não se dá tempo pra nada.  Mas não funciona assim quando o assunto é amor.  Se você está a fim de encontrar alguém para se aconchegar no inverno, para chamar de seu, você precisa estar disposto a ir além do primeiro encontro e a maioria das pessoas não passa do primeiro encontro.  Não dão chance alguma ao amor.  Não dão oportunidade a si mesmas, nem ao outro, de se mostrarem.  É quase que impossível você encontrar alguém para estar com você se não dá continuidade a nada.

Hoje em dia as pessoas esperam algo mágico, embriagante, que as levem ao céu num primeiro encontro e que a partir daí nada mais precise ser feito para se viver em êxtase total.  Só que Isso não existe.  Ou melhor, existe sim: são as drogas!  E exatamente por isso elas matam!  E isso não pode ser confundido com amor.

Permita-se ser curioso para desvendar a outra pessoa. Tente conhecê-la em vários contextos.  Da mesma forma que você pode se decepcionar, pode acontecer o contrário. Você pode se surpreender positivamente. Você pode ter acesso a sensações que num troca -troca de pessoas nunca terá.  Autorize-se a investir no conhecimento do outro.

Sentimentos como amizade, parceria, companheirismo jamais surgem num primeiro encontro.  A sensação de saber que poderá contar com a outra pessoa também não. Então faça uma forcinha e empenhe-se em conhecer.  Tem tanta gente boa por aí, assim como você, que não têm a oportunidade de se fazer conhecer.  Como também tem gente que quer encontrar alguém, mas não se dá o tempo para que isso aconteça.  É preciso investir em conhecer para que o amor aconteça.

Será medo de gostar?  De se entregar?  De sair do supérfluo e se sentir vulnerável?  Medo de se sentir frágil e sofrer?  Pois acreditem em mim, sofrer mesmo é você ficar pulando de galho em galho sem nenhuma consistência de afeto.  É ficar empobrecido com dezenas de relações sem continuidade e sem apego.  Suporte ir além do primeiro encontro e você verá como tem gente legal “dando sopa” por aí.

Cris Manfro