Adaptação escolar ou adaptação familiar?



Não tem jeito. Chega um determinado momento que todos os pais pensam: “acho que meu filho precisa frequentar uma escola”. Independente se a licença maternidade acabou ou o a paciência das mães que não trabalham fora de casa está prestes a terminar, chega uma hora que todos começam a se questionar sobre a importância de uma escola de educação infantil na vida de seu filho. Esse momento varia de família para família levando em conta inúmeros fatores, desde a história de vida de cada um, até a situação financeira atual.

As únicas certezas são as inseguranças, medos, ansiedade e culpas que perpassam cada pai e cada mãe a respeito de tudo o que envolve o início da vida escolar de uma criança. Por isso usa-se o termo “adaptação escolar”. A famosa “adaptação” evolve uma série de elementos e uma única certeza: não encontraremos respostas prontas para cada um deles. Não funciona como em um manual em que você procura o item “se meu filho chorar durante 5 dias seguidos e vir para casa com um olhar cansado” – página 5, linha 23: não, a resposta não estará lá.

As dúvidas começam a partir do momento da decisão de que a escola será a melhor opção para a vida de seu filho naquele momento. A primeira delas é sobre qual local será o mais adequado para ele: essa é a primeira grande decisão a ser tomada. Considero-a uma das mais importantes e ressalto: não pense ser perda de tempo conhecer as 5 principais escolas de seu bairro ou de sua cidade. Vá, pergunte, leve sua listinha de dúvidas, convide seu marido para ir junto (mesmo se ele não quiser ir nas 5 escolas, em duas já será muito bem vinda a opinião dele) e, se possível, leve seu filho junto. Esse tempo que envolve a tomada de decisão até a “peregrinação” de escola em escola já serve de familiarização com o ambiente escolar e traz mais tranquilidade para toda a família. Conversar com os professores, não para testar o conhecimento acadêmico dos mesmos, mas para saber se são pessoas legais, que gostam do que fazem, que se dedicam por inteiro ao seu trabalho, é fundamental. Queremos que nossos filhos aprendam, mas saber que aprendem com pessoas que ensinam com o coração, é a certeza da escolha correta.

A parceria que precisa existir entre escola e família é a mais importante de todas. Se o filho sabe e sente que seus pais confiam no local que o estão deixando, será imensamente mais fácil poder se adaptar. Se a criança percebe que seus pais não estão certos a respeito disso, ela não poderá se adaptar com facilidade, pois estará preocupada com eles. O choro é a maneira que a criança usa para se comunicar, para extravasar, mas também para manipular. Sim, as crianças manipulam, mas não com maldade, mas porque elas querem ser ouvidas. Escutá-las é de extrema importância, mostrar que você se importa, se preocupa, mas espera que ela possa seguir nas suas primeiras tentativas de independência, com segurança. É mais ou menos assim: “Sim, estou aqui ao seu lado, vou te esperar”. Quando fazemos isso, validamos a criança, dizendo que ela pode, que ela é capaz. E isso é fantástico. Perceber que seu filho tem o próprio mundo, diferente do seu. Tem novidades para contar, mesmo que ainda não saiba falar. Por isso, aguente os primeiros choros, eles normalmente cessam nas primeiras semanas ou no primeiro mês. Tente ficar bem, mesmo longe de seu filho e fique, pois isso é importante para ambos. Vá buscá-lo com a tranquilidade de quem sentiu a falta, mas também curtiu estar sozinho. E, se a insegurança persistir, de algum de vocês, mesmo depois de consultar a escola para saber se isso faz parte do processo, procure o auxílio psicológico. Falar sobre seus medos, inseguranças, culpas e dúvidas pode fazer muito bem, tanto a você quanto ao seu filho.

Mirela Manfro da Silva