A Maternidade e a Eterna Culpa

Tenho acompanhado muitos pais que procuram ajuda porque seus bebês não dormem a noite toda, não se alimentam bem, não deixam as fraldas e por aí seguem as mais variadas questões. Entendo que seja muito difícil saber o que fazer quando os filhos não se comportam “adequadamente” e não dormem cedo, um sono tranquilo e constante. Querem mamar, pegar no sono mamando, querem dormir com os pais, querem ser ninados, querem ser simplesmente “bebês”. E o que vejo são mães desesperadas porque seus filhos não são como os filhos das suas amigas ou das reportagens das revistas que, teoricamente, dormem um sono tranquilo de 12 horas, não acordam para mamar e adormecem sozinhos em seus berços.
Pois bem, vamos falar da realidade: mais da metade dos bebês que conheço não dormem cedo. Em sua grande maioria são carregados por mães ou pais exaustos até a cama dos pais, sentindo-se culpados e errados, acreditando estar cometendo um “crime”, pois seus bebês choram sem motivo aparente. Tenho uma grande notícia para lhes dar: bebês choram simplesmente por serem bebês. Eles não conhecem ainda esse mundo, precisam ser apresentados a ele. Não entendem porque precisam sair do colinho tão gostoso do papai e da mamãe. Acordam assustados porque tudo ao seu redor parece muito ameaçador. Querem ver o rosto da mãe para se sentirem seguros.
Costumo dizer que quando nasce uma mãe também nasce a culpa. E nasce a pergunta: “será que estou fazendo tudo certo?” Sim, entendo perfeitamente que algumas regras são necessárias, até porque uma certa rotina traz segurança e organiza a vida não só dos filhos, mas também dos pais. Agora, deixar de dar uma saidinha, deixar de sair para jantar com as amigas porque os filhos irão dormir mais tarde ou sair da rotina, isso sim pode ser fatal. Não dar um colinho quando seu filho acorda apavorado às 3 da manhã porque está com medo (“se eu der um colo agora, quando ele completar 15 anos eu não o controlo mais ”) é um pouco exagerado. Bem, assim encontramos mães divididas entre o desejo de mimar um pouco seus filhos e o que socialmente se espera delas: que criem bebês que se comportem bem.
Nunca tivemos tanto acesso a informações. Pode-se ler artigos internacionais sobre a criação dos filhos ao mesmo tempo em que se amamenta. Mas também, nunca tivemos tanto desamparo, algo que os famosos artigos não irão conseguir resolver. Não vemos mais aquele conhecimento das avós, das vizinhas, aquele chá “mágico e milagroso” que a comadre trazia numa tarde de chuva para fazer parar a cólica do bebê da amiga e que vinha acompanhado de uma tarde regada à chimarrão e a uma conversa gostosa. Sem julgamentos. Só ouvindo.
Sendo assim, sugiro que façamos algumas perguntas: que tipo de mãe ou pai eu quero ser? Quais são meus valores? Será que dar um colinho de madrugada, cheio de amor e proteção, me aproxima da mãe que eu quero ser? Então, sinta-se livre para criar filhos feitos de muito amor e com menos culpa.

Mirela Manfro